Uma vez por ano, as ruas de Madureira, no subúrbio do Rio de Janeiro, são invadidas por cores vibrantes em celebração ao orgulho LGBTI+. A organização desse evento, que combina festa e reivindicações por direitos, enfrenta desafios que vão além da montagem da estrutura de trios elétricos. Para garantir a segurança dos participantes, é necessário suspender os fios que conectam os postes da região. Em dias de chuva, a logística é alterada, exigindo adaptações para a realização da manifestação.
Rogéria Meneguel, presidente da Parada LGBT+ de Madureira, destaca as dificuldades enfrentadas no local. "Madureira não é como Copacabana, onde os trios podem ser protegidos da chuva e seguir normalmente. Aqui, a realidade é diferente", explica. Ela relata que, em anos anteriores, a chuva impediu o andamento da Parada, levando à mudança do evento para dentro do Parque de Madureira desde o ano passado, como forma de contornar esses problemas.
Além das questões logísticas, o Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+, agendado para o dia 25, no centro do Rio, busca promover a troca de experiências entre líderes de diversas localidades. Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris e organizador da Parada de Copacabana, enfatiza a importância do apoio das cidades maiores às menores. "O que funciona em uma cidade pode servir de referência para outra. Juntos, discutimos as pautas prioritárias da comunidade, ampliando a visibilidade de nossas lutas", afirma.
A organização das Paradas vai além da estrutura e logística, também enfrentando reações conservadoras que buscam limitar os direitos da população LGBTI+. Rafael Martins, presidente do coletivo Arraial Free, que organiza a manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, comenta que os últimos 14 anos foram marcados por uma luta contínua para consolidar o calendário das Paradas, visando fortalecer a cooperação entre os territórios e aumentar a visibilidade das mobilizações.
As Paradas de Arraial do Cabo e de Copacabana já têm suas datas definidas: 13 de setembro e 22 de novembro, respectivamente. A Parada de Madureira ainda não tem uma data confirmada, mas a expectativa é que ocorra também em novembro. Durante a plenária final do encontro, será elaborada uma lista com 25 recomendações para fortalecer os movimentos e estabelecer prioridades de incidência política, além de propostas para uma próxima reunião entre os territórios.
"É gratificante ver esse movimento crescendo em todo o Brasil. Atualmente, mais de 500 cidades realizam Paradas. Proporcionalmente, o Rio de Janeiro se destaca, com 92 municípios e mobilizações em 38 deles", destaca Cláudio Nascimento. "Estamos enfrentando um período difícil, com muitas tentativas de restringir a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Seguiremos trabalhando para fortalecer nossa rede", conclui.