A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão importante nesta segunda-feira (14/09), ao rejeitar a proposta do presidente Donald Trump que visava alterar a forma como os cidadãos votam pelo correio. Essa mudança, que poderia ter validade já para as eleições legislativas de novembro, foi considerada inconstitucional por muitos, resultando em uma derrota significativa para Trump.
A proposta de Trump foi alvo de críticas por parte de estados governados por democratas e grupos que defendem o direito ao voto, que argumentavam que a implementação das novas regras em um prazo tão curto causaria confusão e prejudicaria o processo democrático. O tribunal, que conta com nove juízes, teve apenas dois votos divergentes entre os seis juízes conservadores. Brett Kavanaugh, um dos juízes, emitiu uma opinião que concordava com a maioria, observando que o plano de Trump poderia ser considerado legal no futuro, mas que não haveria tempo hábil para que as autoridades eleitorais aplicassem a mudança antes das eleições.
Com essa decisão, os estados poderão continuar a enviar cédulas pelo correio utilizando os métodos que já estão em prática, os quais são responsáveis por quase um terço dos votos registrados nas eleições. A medida representa uma vitória para aqueles que defendem a integridade do sistema eleitoral, especialmente em um momento em que Trump tem insistido, sem apresentar provas, sobre a suposta existência de fraudes na votação pelo correio.
Desde março, Trump havia assinado uma ordem executiva visando restringir o voto pelo correio, alegando vulnerabilidades no sistema. Essa ordem, no entanto, foi contestada na Justiça por autoridades eleitorais que argumentaram que as mudanças propostas não poderiam ser implementadas em tão curto prazo. Após a decisão da Suprema Corte, Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado, comentou que a proposta de Trump para dificultar o acesso ao voto era claramente inconstitucional e que a Corte fez a escolha certa ao barrá-la.
Além disso, um relatório da Brookings Institution, publicado em 2025, revelou que fraudes em votes pelo correio foram registradas em apenas quatro casos para cada 10 milhões de cédulas, desmistificando as alegações de Trump. A oposição ao voto pelo correio por parte do ex-presidente se intensificou após sua derrota nas eleições de 2020 para Joe Biden, mesmo ele utilizando esse mesmo método para votar.
Pesquisas recentes indicam que o Partido Republicano corre o risco de perder o controle da Câmara dos Representantes nas eleições de novembro, uma vez que os democratas já sinalizaram que, em caso de vitória, irão bloquear a agenda política de Trump e podem até considerar um terceiro processo de impeachment contra ele.