A produção do filme 'Dark Horse', que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, agora está sob investigação do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, na noite de quinta-feira (25), que designou o ministro André Mendonça, da Segunda Turma, como relator da notícia-crime envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa escolha se justifica pelo fato de Mendonça já estar à frente de investigações relacionadas ao mesmo tema.
A apuração do STF se desdobrará em duas frentes. A primeira envolve a análise do uso do filme como uma ferramenta de propaganda durante o período eleitoral. A segunda diz respeito à possibilidade de os recursos financeiros utilizados na produção estarem ligados a práticas como fraude bancária, corrupção, gestão temerária e lesão a fundos previdenciários. Fachin também destacou que a investigação foi motivada por um requerimento do deputado federal Lindbergh Farias (PT), que solicitou a verificação de irregularidades financeiras no financiamento da obra, que recebeu investimentos suspeitos.
As suspeitas começaram a ganhar corpo após a divulgação, em maio de 2026, de áudios pelo portal Intercept Brasil. Os diálogos mostram Flávio Bolsonaro solicitando recursos a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para o financiamento do filme, que foi gravado nos Estados Unidos. As cifras em questão giram entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões, o que equivale a valores entre R$ 61 milhões e R$ 134 milhões.
A investigação se concentra nas inconsistências financeiras apresentadas até o momento. Mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro indicam cobranças sobre repasses necessários para evitar atrasos nas gravações de 'Dark Horse'. No entanto, a produtora GOUP Entertainment afirmou publicamente que não recebeu qualquer quantia de Vorcaro ou suas empresas. Essas trocas de mensagens datam do início de 2025.
O ministro Mendonça agora tem a responsabilidade de unificar a análise dos casos. Fachin aplicou as regras de conexão do Código de Processo Penal para direcionar o processo, que terá a investigação em andamento.
Flávio Bolsonaro já se manifestou sobre as acusações, negando qualquer envolvimento em ilegalidades relacionadas ao financiamento do filme. O senador alega que as interações com Vorcaro ocorreram exclusivamente no âmbito privado com o intuito de buscar patrocínio para um projeto pessoal. Flávio enfatiza que não houve qualquer utilização de dinheiro público ou verbas da Lei Rouanet, ressaltando que as conversas aconteceram em um momento em que Vorcaro não era alvo de investigações. Além disso, Flávio defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) após a prisão do empresário, com o objetivo de investigar o Banco Master, afirmando que a apuração serviria para distinguir entre inocentes e culpados.