Nesta terça-feira (23), operadores de telemarketing se reuniram em audiência na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, onde relataram as graves violações trabalhistas que a categoria enfrenta. Os representantes dos trabalhadores argumentaram que a aprovação de projetos de lei que visam regulamentar a profissão encontra resistência por parte dos empresários do setor.
Crislaine Carneiro, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio Grande do Sul (Sintetel-RS), destacou que a precarização no trabalho atinge aproximadamente 1,5 milhão de teleoperadores em todo o Brasil. Ela enfatizou que a exploração vivenciada pelos trabalhadores é generalizada e afirmou que o lucro obtido pelas empresas está sendo gerado à custa da saúde mental dos funcionários. "O Estado brasileiro tem que cumprir o papel de garantir os direitos mínimos para esses trabalhadores", defendeu.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos realizou uma fiscalização nas condições de trabalho em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. O relatório resultante apontou problemas como falta de equipamentos adequados, metas excessivas, alta taxa de terceirização e valores baixos de auxílio-alimentação. Além disso, foram documentados casos de assédio moral, restrições no uso de banheiros e altos índices de adoecimento, incluindo diagnósticos de síndrome do pânico e burnout.
Angélica Pereira, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de São Paulo (Sintetel-SP), corroborou as queixas, afirmando que as dificuldades enfrentadas pelos operadores afetam profundamente a saúde física e emocional dos trabalhadores. Ela citou problemas como perda auditiva e a incapacidade de manter a rotina de trabalho sem prejudicar a própria saúde e vida pessoal.
Na audiência, a regulamentação da profissão foi amplamente defendida por líderes sindicais e membros do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Um Representante da Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações e Tecnologia alertou sobre possíveis consequências da regulamentação, sugerindo que, ao tentar proteger os trabalhadores, poderia haver um estímulo à robotização, resultando na redução de postos de trabalho em uma atividade considerada socialmente relevante.
Dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) revelam que o Brasil conta com 407 mil teleoperadores ativos. Durante a discussão, a deputada Erika Kokay (PT-DF) enfatizou a importância da regulamentação, mencionando o Projeto de Lei 2196/25, que está em análise na Câmara dos Deputados e foi proposto pelo deputado Reimont (PT-RJ). Ela destacou a necessidade de estabelecer um piso salarial nacional, dada a complexidade e a importância das tarefas desempenhadas por esses profissionais.