A guerra no Irã está causando sérios desafios para a Economia da China, refletindo um impacto negativo na demanda global, o que pode restringir o crescimento impulsionado pelas exportações chinesas. Além disso, a crise energética e problemas nas cadeias de suprimentos, aliados a um possível estancamento dos investimentos chineses no Oriente Médio, agravam ainda mais a situação. No entanto, especialistas acreditam que a China possui uma posição relativamente mais favorável do que muitos de seus vizinhos para enfrentar essas dificuldades no curto prazo.
Um estudo do China Power Project, em colaboração com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sugere que, apesar das adversidades, a China pode encontrar algumas vantagens no longo prazo. A análise destaca que a segurança energética do país pode permitir que os fabricantes chineses superem concorrentes de outras nações no médio prazo, especialmente em um cenário de crescente demanda global por energia renovável.
Entre os principais impactos da guerra no Irã sobre a economia chinesa, destaca-se a diminuição na demanda por suas exportações. A guerra tem afetado quase todas as economias, muitas das quais representam mercados significativos para os produtos chineses. Isso é particularmente preocupante, uma vez que a Economia da China se torna cada vez mais dependente do crescimento sustentado das exportações. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas previsões de crescimento para as importações globais, especialmente entre economias em desenvolvimento, e entre os 20 principais destinos de exportação da China, oito tiveram suas projeções de importação reduzidas significativamente.
Esses países incluem a Índia, Malásia, Tailândia, Indonésia, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Arábia Saudita, alguns dos quais enfrentam quedas dramáticas. Essa situação representa um desafio considerável para a China, que viu seu crescimento econômico se tornar cada vez mais dependente da expansão contínua das exportações no mercado global. Em 2025, estima-se que quase um terço do crescimento do PIB da China derive do setor externo.
Mesmo diante de um cenário desafiador, a China apresenta características que podem mitigar alguns dos efeitos adversos da guerra. A adoção de energias renováveis, como a solar e a eólica, é crescente, com esses setores contribuindo com mais de 22% da geração de eletricidade do país até 2024. Além disso, a popularidade dos veículos elétricos (VE) na China, que em 2024 representaram cerca de 11% dos veículos de passageiros, ajuda a reduzir o impacto direto das oscilações nos preços do petróleo. Embora o país ainda esteja atrás de líderes em adoção de VEs, como Noruega e Islândia, está à frente de outros, como a Coreia do Sul e os Estados Unidos, onde a penetração de VEs é de apenas 3% e 1%, respectivamente.
Essas vantagens em segurança energética podem proporcionar à China benefícios em termos de custo na manufatura, especialmente em comparação a países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Apesar do aumento nos custos, a competitividade da China pode se manter, embora, no momento, os impactos imediatos da guerra estejam superando os possíveis benefícios a longo prazo. A situação continua a evoluir, exigindo uma análise cuidadosa das estratégias econômicas que a China poderá adotar para navegar por esse período turbulento.