O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na terça-feira (5/5) a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, em decorrência de uma investigação que apura corrupção na Secretaria de Educação do estado do Rio de Janeiro. Além da prisão, o parlamentar foi afastado do cargo. As investigações indicam que Rangel atua como um elo político de uma organização criminosa que conecta o crime organizado às instituições públicas fluminenses.
A Polícia Federal (PF) fez o pedido de prisão preventiva, que contou com o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR). A prisão ocorreu durante a 4ª Fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Moraes justificou a decisão de prisão preventiva ao afirmar que o esquema de corrupção estaria em andamento e que o deputado apresentava movimentações financeiras suspeitas, além de representar um risco real de interferência nas investigações. O ministro destacou que a prisão preventiva é necessária para proteger a ordem pública e garantir a continuidade da instrução criminal, assim como para afastar detentores de cargos públicos de suas funções.
A PF revelou que o esquema investigado envolveria o direcionamento de obras de reformas em escolas públicas estaduais na região norte do estado, onde tanto Rangel quanto Rodrigo da Silva Bacellar, outro deputado estadual, exercem influência política. Thiago Rangel já havia sido preso e afastado de sua função na presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em fases anteriores da Operação Unha e Carne, por supostamente ter vazado informações de operações policiais.
Mensagens interceptadas pela PF revelam indícios de articulações para fraudar contratos públicos, com o intuito de beneficiar financeiramente o deputado. Em um dos diálogos, Rangel enviou uma foto a Luis Fernando Passos de Souza, identificado como operador financeiro do esquema, contendo uma lista de possíveis participantes. Essa lista inclui duas empresas que estão sob investigação pela PF por supostamente serem favorecidas pelas fraudes.
Outro diálogo destaca Luis enviando a Rangel uma imagem de cédulas de dinheiro em espécie, acompanhada da mensagem "guardado…". A PF observou que a data da imagem coincide com uma mensagem em que o operador menciona "Contrato assinado… Saque de 550 para sexta…". Além de Rangel, outras seis pessoas foram presas, incluindo Luis Fernando, o chefe de gabinete de Rangel, Fabio Pourbaix, e a diretora regional de Educação Noroeste do Rio de Janeiro, Júcia Gomes de Souza Figueiredo.
Com informações jota.info