A recente decisão de Donald Trump de suspender a missão de escolta de navios no Estreito de Ormuz foi provocada pela recusa da Arábia Saudita, um aliado estratégico dos EUA no Golfo, em permitir que caças de combate americanos utilizassem suas bases e espaço aéreo para a operação, chamada de Projeto Liberdade. Essa informação foi divulgada no dia 7 de setembro pela rede NBC, que citou dois membros do governo Trump.
O anúncio do Projeto Liberdade nas redes sociais por Trump, realizado no domingo, gerou descontentamento entre os aliados do Golfo, especialmente na liderança saudita. A Arábia Saudita comunicou sua negativa a Washington, mesmo após um telefonema entre Trump e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, conforme relatado pelo jornal britânico The Guardian.
Atualmente, as forças armadas dos EUA mantêm na Base Aérea Príncipe Sultan aeronaves de combate, aviões-tanque de reabastecimento e sistemas de defesa antiaérea. Essa base vinha sendo utilizada pelos americanos para apoio na guerra contra o Irã, além de permitir o sobrevoo de aeronagens de países vizinhos. Contudo, a recusa da Arábia Saudita em colaborar com a missão de escolta pode complicar ainda mais a situação na região.
As tensões no Estreito de Ormuz são acentuadas por recentes intercâmbios de fogo entre EUA e Irã, com Washington alegando que suas ações foram em legítima defesa contra mísseis e drones iranianos. Por outro lado, Teerã acusa os EUA de violar um cessar-fogo ao atingir um petroleiro. O clima de incerteza se agrava ainda mais com a resposta do governo iraniano, que está analisando uma proposta de paz apresentada pelos EUA.
O conflito entre as nações do Golfo já havia provocado divisões, especialmente com a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, em resposta à cautela da Arábia Saudita. Atualmente, os emiradenses consideram também deixar a Liga Árabe, refletindo a crescente insatisfação com a liderança saudita.
Um cessar-fogo entre EUA e Irã permanece em vigor desde 8 de abril, mas as negociações que ocorreram recentemente no Paquistão não resultaram em um acordo definitivo. O governo paquistanês, que atua como mediador, expressou esperança de que um desfecho positivo seja alcançado em breve. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, destacou que as partes devem buscar uma solução pacífica e sustentável para a região.