Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, em sua maioria da direita, têm feito do Supremo Tribunal Federal (STF) um alvo constante em suas campanhas eleitorais. Aproveitando o desgaste institucional da Corte e a queda de confiança do público, esses presidenciáveis intensificam suas críticas ao STF. A estratégia visa engajar os eleitores e destacar suas diferenças dentro do campo político.
As propostas apresentadas pelos candidatos variam em escopo e intensidade, abrangendo desde a criação de novas normas de conduta até uma revisão mais abrangente dos poderes do Tribunal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais opositores do presidente Lula (PT), destacou em abril, durante o Fórum da Liberdade, que “qualquer governo que se iniciar a partir de 2027 vai ter que fazer uma reforma do Judiciário”.
No mesmo evento, outros pré-candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Aldo Rebelo (DC), também manifestaram críticas ao STF. Flávio Bolsonaro defendeu a ampliação da responsabilização dos ministros e a limitação da atuação da Corte, citando a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua participação em uma tentativa de golpe de Estado. Zema, por sua vez, sugeriu uma revisão ampla da Corte, incluindo mudanças nos critérios de nomeação e na idade mínima dos ministros, atualmente fixada em 35 anos. Aldo Rebelo considerou o STF um entrave à governabilidade e ao desenvolvimento.
A desconfiança em relação ao STF é especialmente acentuada entre os eleitores da direita. Um Levantamento da Genial/Quaest, divulgado em março, revelou que 90% dos bolsonaristas acreditam que o Tribunal “tem poder demais”, enquanto 83% dos eleitores de direita não bolsonaristas compartilham dessa opinião. Entre os apoiadores de Lula e os eleitores de esquerda não lulistas, a percepção de que a Corte possui excessivo poder também é majoritária, mas em um percentual bem menor, atingindo 63%.
O foco das críticas ao STF pode servir como uma ferramenta de diferenciação para candidatos menos conhecidos. Segundo Rafael Cortez, esse tema pode ajudar a dar identidade a projetos políticos alternativos ao lulismo e bolsonarismo, especialmente para candidaturas de terceira via que buscam se destacar no espectro da direita. No caso de Zema, essa disputa com o STF pode contribuir para aumentar sua visibilidade nacional.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem adotado um tom menos agressivo em suas críticas, mesmo diante de sua conturbada relação com a Corte, resultante da condenação de seu pai. A estratégia do senador parece ser a de preservar sua imagem, já que conta com o apoio dos bolsonaristas, enquanto busca atrair também o eleitorado da direita moderada e possíveis eleitores centristas. Essa abordagem mais cautelosa pode ser uma tentativa de ampliar sua base de apoio sem se alienar de seus eleitores tradicionais.
Com informações jota.info