Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, já há uma percepção de que a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não será candidata ao Senado nas eleições de outubro. O foco do partido, liderado por Fernando Haddad, se desloca para Márcio França, atual presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro) em São Paulo. Essa mudança de estratégia é considerada essencial, pois França, aliado do vice-presidente Geraldo Alckmin, é visto como uma figura central na composição da chapa.
A pré-campanha de Fernando Haddad está embasada na avaliação de que a candidatura de Marina poderá perder força ao longo da disputa, o que levaria a uma “desidratação” natural de sua candidatura. A articulação política também discute a possibilidade de apresentar três nomes do campo governista para o Senado: França, Marina e Simone Tebet. No entanto, essa alternativa enfrenta resistência, já que poderia isolar Marina, diminuindo ainda mais suas chances eleitorais.
Recentemente, Haddad anunciou que se reunirá com Marina Silva, Márcio França, Simone Tebet e outras lideranças da aliança para discutir a formação da chapa. Este encontro está previsto para ocorrer ainda nesta semana, em um esforço para alinhar as candidaturas e fortalecer a posição do grupo.
Pesquisas recentes indicam um cenário de empate técnico entre Simone Tebet, Márcio França e Marina Silva. Um levantamento da Genial/Quaest, divulgado no final de abril, mostrou que os três candidatos estão em uma disputa acirrada pela liderança. Outro estudo, realizado pelo Atlas/Estadão em março, também apontou um empate técnico entre Tebet, Guilherme Derrite e Marina nas primeiras colocações.
Nos bastidores, a avaliação é de que França se destaca como um candidato que pode dialogar com diferentes segmentos eleitorais, incluindo os conservadores e as forças de segurança, além de ter uma melhor aceitação entre o eleitorado de centro. A estratégia é reforçar a candidatura de um nome que possua menor rejeição e maior capacidade de articulação política dentro do cenário paulista, em um momento em que as divisões entre direita e esquerda se tornam mais evidentes na disputa ao Senado.