O governo de Donald Trump está considerando a possibilidade de abrir um processo criminal contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, devido à sua suposta responsabilidade no abatimento de dois aviões da organização Hermanos al Rescate, ocorrido em 1996. A informação foi divulgada com base em fontes do Departamento de Estado e indica uma nova escalada nas pressões de Washington sobre Havana.
Procuradores federais dos Estados Unidos estão discutindo a apresentação da acusação em Miami, programada para esta quarta-feira, dia 20. A data coincide com homenagens às vítimas do episódio, promovidas pelo Departamento de Justiça americano. Além de Raúl Castro, o governo dos EUA também analisa possíveis ações contra Miguel Díaz-Canel, atual presidente cubano, e outros membros da cúpula do regime.
A discussão sobre a acusação ocorre em um contexto de tensões diplomáticas crescentes entre Estados Unidos e Cuba. Nos últimos meses, o governo Trump implementou novas restrições econômicas e energéticas contra a ilha, dificultando o fornecimento de petróleo e intensificando uma crise energética que começou em janeiro. As sanções foram acompanhadas de ameaças a empresas e países que continuassem a exportar combustível para Havana.
Essas restrições têm impactado gravemente o abastecimento energético em Cuba, afetando serviços essenciais como transporte público, hospitais e escolas. Analistas traçam paralelos entre essa estratégia e a abordagem adotada anteriormente contra a Venezuela, que culminou na operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro neste ano.
O processo em questão remete ao incidente de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões foram abatidos por forças cubanas enquanto sobrevoavam Havana para distribuir panfletos contra o governo de Fidel Castro. Antes do abatimento, tanto o Departamento de Estado quanto a Federal Aviation Administration (FAA) haviam emitido alertas sobre a possibilidade de uma reação militar por parte de Cuba caso o espaço aéreo fosse novamente violado.
A reabertura desse caso acontece em um momento crítico para Donald Trump, que enfrenta desafios políticos internos após a guerra no Irã. A medida pode servir para reforçar seu apoio entre a comunidade cubano-americana na Flórida, um eleitorado considerado estratégico. Estima-se que cerca de 2,9 milhões de cubano-americanos residam nos Estados Unidos, com uma faixa entre 1,2 milhão e 1,5 milhão aptos a votar.