A guerra civil no Sudão chega a três anos, colocando o país entre as principais crises humanitárias do mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas, aproximadamente 34 milhões de pessoas, o que representa cerca de 65% da população, vivem em condições de emergência e carecem de apoio humanitário. Entre esses, 21 milhões enfrentam a falta de acesso a serviços de saúde e 4 milhões padecem de desnutrição aguda.
Além disso, a situação é alarmante: 14 milhões de indivíduos foram deslocados, sendo que 9 milhões buscam abrigo em outras regiões do país, enquanto 4,4 milhões fugiram para países vizinhos como Chade, Egito e Sudão do Sul, que já enfrentam dificuldades para acolher novos refugiados, conforme o ACNUR.
Um representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) ressaltou que diversas áreas do Sudão estão em meio a uma crise alimentar que persiste há dois anos. Ele enfatizou que muitos sudaneses lutam diariamente para garantir alimento e dignidade, com famílias adotando medidas extremas, como pular refeições para alimentar as crianças.
O relatório da ONU Mulheres aponta que 12,7 milhões de pessoas, principalmente mulheres e meninas, necessitam de assistência relacionada à violência de gênero, um aumento significativo em relação aos 3,1 milhões estimados em 2023.
A situação das crianças no Sudão é especialmente crítica, com mais de 4.300 mortes ou mutilações desde o início do conflito, além de 5.700 violações graves registradas. Os ataques aéreos, que são responsáveis por 80% das fatalidades, agravam ainda mais a situação.
Os combates iniciaram em 15 de abril de 2023, após um período de tensões entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido. Desde então, estima-se que pelo menos 59 mil pessoas tenham perdido a vida, conforme dados da ACLED, embora o número real de mortos possa ser ainda maior. A guerra civil gerou temores de uma nova divisão do Sudão, que já se separou em 2011, com a criação do Sudão do Sul.