A partir de 1º de maio, a Rússia interromperá o fornecimento de petróleo do Cazaquistão para a Alemanha através do oleoduto Druzhba. A informação foi confirmada pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak, que não detalhou as razões, mencionando apenas "motivos técnicos" para a decisão.
Essa interrupção terá um impacto significativo na refinaria PCK Schwedt, situada próxima a Berlim, que depende de aproximadamente 17% de seu petróleo proveniente desses embarques cazaques. A PCK desempenha um papel crucial no abastecimento de combustíveis na região, o que levanta preocupações sobre possíveis consequências para o mercado local.
Em 2025, as exportações de petróleo do Cazaquistão para a Alemanha por meio do Druzhba alcançaram 2,146 milhões de toneladas, o que equivale a cerca de 43 mil barris por dia, representando um aumento de 44% em relação a 2024. No primeiro trimestre de 2026, já foram contabilizadas 730 mil toneladas, evidenciando a relevância dessa rota para o fornecimento de derivados no mercado alemão.
O governo alemão, que assumiu o controle da refinaria Schwedt após a aquisição da participação da russa Rosneft em 2022, assegura que não há risco imediato de desabastecimento. Para mitigar os efeitos da paralisação, a estratégia inclui a utilização de outras rotas de importação, como um aumento potencial nas entregas através do porto de Gdansk, na Polônia, além de explorar a capacidade de alternativas já em operação.
Entretanto, a Agência Federal de Redes, que atua como reguladora do setor de energia na Alemanha, admite que a suspensão pode gerar pressões de preço em algumas áreas. O órgão, responsável pela supervisão das operações da Rosneft no país, tem mantido contato com a empresa para minimizar possíveis impactos negativos.
A Rosneft continua sendo a principal acionista da refinaria PCK, detendo 54,17% de suas ações, enquanto Shell e Eni possuem 37,5% e 8,33%, respectivamente.