Em janeiro, uma ligação surpreendente do Departamento de Segurança Interna (DHS) ao Conselho Eleitoral do Condado de Franklin, Em Ohio, levantou questões sobre a supervisão das eleições nos EUA. O agente do DHS solicitou urgentemente acesso a registros de eleitores, incluindo dados sensíveis como números de carteira de motorista. O Condado de Franklin, que possui uma população majoritariamente democrata, é um foco de ceticismo entre os republicanos em relação aos centros de votação nas áreas urbanas de Ohio.
As solicitações desse agente se tornaram mais frequentes nas semanas seguintes. Emails analisados revelaram que ele buscava não apenas formulários de registro, mas também históricos de votação de diversos eleitores. A natureza da solicitação, descrita como uma “investigação” e marcada pela urgência, deixou as autoridades eleitorais do condado perplexas. Antone White, diretor eleitoral da região, expressou sua surpresa, afirmando que nunca havia recebido um contato do DHS antes. Ele atendeu à demanda, mas permanece sem clareza sobre os motivos da consulta.
O DHS optou por não comentar sobre a operação Em Ohio, mas afirmou que seus agentes estão comprometidos em investigar e eliminar fraudes eleitorais em todo o país. O escritório do procurador dos EUA no sul de Ohio também não forneceu informações sobre possíveis investigações federais em andamento. O episódio Em Ohio se insere em um padrão mais amplo, que envolve pelo menos oito estados, onde o governo federal tem aumentado sua presença nas questões eleitorais.
Administradores eleitorais de diferentes partidos expressaram preocupação com a possibilidade de que ações do governo federal possam levar a um aumento do escrutínio sobre os resultados das eleições de novembro, que incluem a disputa pelo controle do Congresso. Apesar das inquietações, especialistas em Direito Eleitoral, como Richard Hasen, afirmam que isso não significa que as eleições estejam destinadas a serem anuladas, embora tentativas de interferência não possam ser descartadas.
Hasen, professor da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, observou que, se a atenção se concentrar em jurisdições ou estados específicos onde há disputas, a probabilidade de tentativas de subversão aumenta. O cenário traz à tona a necessidade de um debate mais amplo sobre a segurança e a integridade do processo eleitoral nos Estados Unidos, especialmente em um momento crítico em que a confiança do público nas instituições democráticas é vital.