Quando Joaquim NABUCO escreveu sobre a escravidão, ele não apenas se referiu à continuidade da desigualdade econômica após 1888. Ele percebeu que a escravidão havia moldado hábitos, hierarquias, mentalidades e formas de convivência social que sobreviveriam à própria abolição formal.
Mais de um século após a abolição, a sociedade brasileira ainda é marcada pela herança da escravidão. Milhões de negros libertos foram lançados à própria sorte, sem terra, educação, moradia ou qualquer política de integração econômica.
Essa lógica ajuda a compreender fenômenos contemporâneos, como a resistência a mudanças estruturais que possam comprometer a situação de precariedade dos trabalhadores pobres.
Décadas de precariedade econômica e social transformaram direitos em ameaça, fazendo com que os trabalhadores pobres frequentemente defendam estruturas que os mantêm em situação de precariedade por medo de perder o pouco que possuem.
A insegurança material transforma direitos em ameaça, tornando a produção de subjetividades um desafio.
Com informações jota.info