Líderes do Golfo e da Europa estimam que um acordo de paz entre os EUA e o Irã pode levar até seis meses para ser alcançado. Durante esse período, as partes envolvidas devem estender o cessar-fogo atual, conforme informações de autoridades locais que preferem não ser identificadas.
Esses líderes enfatizam a urgência de reabrir o Estreito de Ormuz para restabelecer o fluxo de energia. Eles alertam que, caso essa reabertura não ocorra até o próximo mês, uma crise alimentar global poderá se agravar. O preço do petróleo Brent já ultrapassou US$ 98 por barril, com um aumento de cerca de 3,5% na última quinta-feira.
As autoridades do Golfo continuam acreditando que o Irã tem intenções de desenvolver armas nucleares, uma percepção que se manteve após os ataques realizados em conjunto pelos EUA e Israel. Por isso, defendem que um possível acordo de paz deve incluir restrições ao enriquecimento de urânio e à posse de mísseis balísticos de longo alcance pelo Irã.
Apesar das preocupações, a maioria dos líderes do Golfo é contrária ao reinício de combates e prefere que os EUA busquem uma solução diplomática com o Irã. Em meio a essa situação, Washington e Teerã estão considerando prorrogar o cessar-fogo, que está programado para terminar na próxima terça-feira à noite, horário dos EUA, a fim de permitir mais tempo para negociações.
As questões a serem discutidas incluem o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, o alívio das sanções impostas à República Islâmica e o conflito no Líbano entre Israel e o Hezbollah, que recebe apoio de Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, o que poderá facilitar as conversas sobre o Irã.
A declaração dos Emirados Árabes Unidos, datada de 8 de abril, reforçou a necessidade de uma abordagem abrangente que considere todas as ameaças representadas pelo Irã, incluindo suas capacidades nucleares e de mísseis balísticos.