O Banco Central (BC) decidiu continuar o ciclo de redução da taxa de juros, mesmo diante de um cenário inflacionário desafiador. O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou que a Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual, passando de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva desde março, uma resposta a flutuações de preços que envolvem incertezas, especialmente devido a pressões globais resultantes de conflitos no Oriente Médio e do fenômeno El Niño.
A ata da reunião, divulgada na terça-feira (23), destaca que a decisão de não reagir de forma integral a variações de preços geradas por choques de oferta segue as "melhores práticas" de política monetária. O documento menciona que o BC mantém uma postura de serenidade e cautela, considerando que a incerteza no cenário atual é alta, o que demanda uma calibração cuidadosa dos passos futuros da política monetária.
Em abril, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi pressionada por aumentos nos preços dos alimentos, que resultaram em uma variação de 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, já fora da meta inflacionária estabelecida, que varia entre 1,5% e 4,5%. O BC reconhece que o cenário inflacionário de curto prazo é desafiador, com pressões atuais mais elevadas no índice.
Durante a reunião, os membros do Copom analisaram diferentes simulações que consideravam pausas e retomadas no ciclo de juros, e as trajetórias alternativas mostraram menor flutuação do produto, além de serem compatíveis com uma suavização macroeconômica. O objetivo é garantir que a inflação convirja para o centro da meta até o primeiro trimestre de 2028, que agora é considerado o horizonte relevante para a política monetária do BC.
Apesar da flexibilização gradual da Selic, a ata enfatiza a necessidade de cautela diante da resiliência da atividade econômica, que tem se mostrado surpreendente e dificultado a desaceleração da inflação de serviços. Os diretores do BC afirmaram que os próximos passos na política de juros serão ajustados com base em novos dados econômicos que venham a surgir.
O Comitê também reiterou que, no atual contexto de incerteza e riscos assimétricos para os preços, a magnitude do ciclo de calibração da Selic será ajustada conforme a evolução do cenário econômico, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida.