Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foi o cenário de uma experiência prática que ultrapassa os limites da sala de aula, permitindo que estudantes e residentes vivenciassem o cotidiano do SUS. Entre os dias 6 e 11 de abril, 33 participantes do Programa Nacional de Vivência do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) estiveram imersos na rede pública de saúde da cidade. Eles visitaram unidades de atenção primária, hospitais de média e alta complexidade, CAPS e outros locais estratégicos de assistência.
A proposta visa impactar diretamente a formação profissional e humana dos envolvidos. Durante uma semana, os estudantes estiveram em alojamento coletivo, realizando visitas técnicas, participando de rodas de conversa e momentos reflexivos ao fim de cada dia. Essa dinâmica busca integrar teoria e prática, além de promover um olhar crítico e uma compreensão mais ampla sobre o funcionamento do sistema de saúde junto à população.
Júlio Ricardo França, diretor da Escola de Saúde Pública da Sesau, destacou a importância do programa para Campo Grande e para os participantes. Ele afirmou que mais de 20 pontos da rede de atenção foram visitados e que as reflexões ao final do dia eram momentos significativos de processamento das experiências. França também mencionou que os estudantes vêm de várias partes do Brasil, como Manaus, Belém e cidades do interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, o que enriquece o intercâmbio de experiências.
José Henrique Pinto de Oliveira, residente de Psicologia de 20 anos, compartilhou que essa vivência será marcante em sua trajetória profissional. Ele enfatizou a relevância do atendimento humanizado que observou em Campo Grande e destacou que a vivência proporcionou uma visão mais realista do trabalho dos profissionais de saúde. Para ele, a principal lição foi perceber que o cuidado ao paciente envolve uma equipe multidisciplinar, não se restringindo apenas ao médico.
A experiência foi também significativa para Júlio França, que recordou sua própria vivência no programa em 2012. Hoje, como gestor, ele vê a iniciativa como uma oportunidade para demonstrar na prática como o SUS se constrói e como os futuros profissionais podem contribuir para seu fortalecimento.
A conclusão dessa imersão é que Campo Grande se destaca como um espaço de aprendizado, escuta e comprometimento com uma saúde pública mais humana e socialmente transformadora.