Uma nova disputa judicial ameaça mergulhar o império da família Del Vecchio em mais uma batalha bilionária. O centro do conflito é a tentativa de Leonardo Maria Del Vecchio ampliar sua influência dentro da holding familiar ao comprar as participações de dois irmãos, Luca e Paola Del Vecchio.
A disputa envolve o futuro controle da Delfin, empresa criada por Leonardo Del Vecchio para administrar os investimentos da família. A holding possui quase um terço da EssilorLuxottica, maior companhia de óculos do mundo e dona de marcas como Ray-Ban e Oakley.
O herdeiro Rocco Basilico, filho da viúva do bilionário Leonardo Del Vecchio, entrou com ação judicial alegando irregularidades na votação que autorizou a transferência de participação dentro da holding. Segundo a contestação, a transferência de ações para terceiros exigiria aprovação superior a 88% dos votos, conforme o estatuto da Delfin. Porém, a aprovação ocorreu com base em maioria de 75%.
Como Basilico detém 12,5% dos direitos de voto da holding, sua oposição seria suficiente para bloquear a operação caso o quórum mais elevado fosse aplicado. O herdeiro pede agora que a Justiça de Luxemburgo anule todas as decisões tomadas na assembleia.
Além da disputa acionária, a ação também questiona mudanças na política de dividendos da holding. Segundo os relatos, a nova estrutura prevê distribuição mínima de 80% do lucro líquido anual entre 2025 e 2027 após a conclusão da operação — movimento que poderia ajudar Leonardo Maria a financiar a compra das participações dos irmãos.
Caso o acordo seja mantido, Leonardo Maria Del Vecchio passará a deter 37,5% da Delfin, tornando-se o maior acionista individual da holding. A disputa adiciona tensão à sucessão do império construído por Leonardo Del Vecchio, morto em 2022 e considerado um dos empresários mais influentes da Itália.