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Golfinhos treinados em operações militares: a polêmica no Golfo Pérsico

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Nos últimos dias, uma indagação sobre o suposto uso de golfinhos treinados pelo Irã para realizar ataques a embarcações americanas no Estreito de Ormuz ganhou destaque. A questão foi levantada em uma coletiva de imprensa pelo Secretário de Guerra, Peter Hegseth, que estava acompanhado do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA. Apesar de Hegseth ter feito uma piada sobre a situação, fazendo alusão a um filme de comédia, ele deixou em aberto a possibilidade de que informações sobre o uso de golfinhos pelo Irã poderiam ser verdadeiras.

A origem da discussão remonta a uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, que analisou as estratégias do Irã para controlar o Estreito de Ormuz. O texto mencionava a instalação de minas e a possibilidade do uso de golfinhos treinados, informações que ecoam uma reportagem da BBC dos anos 2000, que afirmava que o Irã havia adquirido golfinhos da União Soviética para operações militares. Esses animais teriam sido equipados com armas, como arpões e explosivos, para atacar navios considerados inimigos.

Entretanto, é importante ressaltar que a Marinha dos EUA é reconhecida como pioneira no treinamento de mamíferos marinhos com fins militares. Desde a década de 1960, a Marinha dos EUA desenvolve o Programa de Mamíferos Marinhos, que tem como objetivo treinar golfinhos-nariz-de-garrafa e leões-marinhos na localização e recuperação de objetos submersos. O uso desses animais se justifica pela sua habilidade natural de sonar, que é superior à tecnologia eletrônica atual, permitindo a detecção de minas e outros perigos no fundo do mar.

Uma reportagem da NBC de 2002 revelou que esse programa recebia anualmente um financiamento de US$ 14 milhões. O uso de golfinhos em operações militares ficou ainda mais notório durante a Guerra do Golfo, especialmente em 1987, quando o golfinho K-Dog foi fotografado próximo ao sargento Andrew Garrett enquanto realizava atividades de desminagem no Golfo Pérsico, em meio à invasão do Iraque em 2003.

Em 2013, a mídia americana destacou um incidente em que dois golfinhos localizaram um torpedo Howell, um dos primeiros torpedos de autopropulsão da Marinha dos EUA, no fundo do mar na Califórnia. Embora a utilização de golfinhos para fins militares seja uma prática consolidada, não existem evidências concretas que sustentem a ideia de que estes animais possam ser empregados para explodir embarcações inimigas, uma narrativa que ainda parece pertencer ao âmbito da ficção, como exemplificado pelo filme de 1973, "O Dia do Golfinho". O longa, que abordava um plano de extremistas para explodir um navio onde se encontrava o presidente dos EUA, foi um fracasso de bilheteira, mas trouxe à tona a discussão sobre o potencial militar dos golfinhos.

Assim, embora a presença de golfinhos treinados em operações militares seja uma realidade histórica, as alegações recentes sobre ataques kamikazes permanecem no domínio da especulação e da ficção, sem comprovação factual.

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