O Irã não abrirá mão do controle sobre o Estreito de Ormuz, conforme declarou Ebrahim Azizi, parlamentar sênior e ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, em entrevista à BBC. Essa afirmação vai contra as expectativas dos Estados Unidos, que esperam que a reabertura do estreito seja uma medida permanente em um possível acordo de paz.
Azizi ressaltou que o controle do estreito é um "direito inalienável" do Irã, afirmando que "o Irã decidirá o direito de passagem, incluindo as permissões para embarcações transitarem pelo estreito". O parlamentar também revelou que um projeto de lei está sendo elaborado para formalizar essa posição, fundamentado no artigo 110 da constituição iraniana. O projeto abrangerá questões como meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional, com a implementação a cargo das forças armadas.
O parlamentar caracterizou o controle sobre o Estreito de Ormuz como um "ativo" crucial para enfrentar adversários, indicando que a questão não é vista apenas como uma moeda de troca nas negociações atuais, mas sim como um instrumento de poder a longo prazo.
Essa postura do Irã contrasta diretamente com a dos Emirados Árabes Unidos, que têm se mostrado preocupados com a influência iraniana na região. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos EAU, classificou o controle do Irã sobre o estreito como uma "pirataria hostil" e advertiu que a manutenção dessa posição poderia estabelecer um "precedente perigoso" para outras rotas marítimas estratégicas em todo o mundo.
Em resposta às críticas, Azizi acusou os países do Golfo de terem "vendido a região aos americanos" e chamou os EUA de "o maior pirata do mundo". Ele também se manifestou sobre as alegações de que o Irã estaria tentando "chantagear" Washington, afirmando que não espera nada de alguém que "distorce a verdade".
A relevância das declarações de Azizi é amplificada pelo seu perfil político, representando uma ala mais radical do parlamento iraniano, que ganhou força após uma série de assassinatos de figuras importantes em ataques israelenses.