O governo do presidente argentino Javier Milei implementou uma medida que proíbe a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, conforme anunciado na quinta-feira (23) pelo porta-voz Javier Lanari. Essa decisão foi tomada após uma denúncia militar que alegou "espionagem ilegal".
Com a nova regra, o acesso por impressão digital foi suspenso a pedido da Casa Militar. Dentre os afetados, um jornalista da agência internacional Reuters, que frequentemente trabalha no local, foi impedido de entrar nas dependências do palácio presidencial.
A situação se agravou na quarta-feira (22), quando Milei postou uma imagem de dois jornalistas da TN, afiliada da CNN na Argentina, a quem chamou de "escória nojenta". O ataque verbal ocorreu em resposta a uma gravação transmitida pela emissora, que mostrava o chefe de gabinete Manuel Adorni circulando pelos corredores da Casa Rosada.
Desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, Milei tem se envolvido em conflitos públicos com jornalistas, utilizando redes sociais e entrevistas para criticar a cobertura da mídia. Essa abordagem tem gerado alarmes entre grupos que defendem a liberdade de imprensa, que apontam para uma crescente deterioração nas relações entre o governo e os meios de comunicação.
A proibição do acesso aos jornalistas, especialmente em um espaço tão emblemático como a Casa Rosada, levanta questões sobre a transparência e a liberdade de informação na Argentina sob a administração de Milei. A situação atual reflete um clima tenso e polarizado entre a administração e a imprensa, o que pode ter implicações significativas para o futuro do jornalismo no país.