O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, delineou como prioridade de sua gestão o combate às fake news e a desinformação, especialmente no contexto eleitoral. Em sua visão, a análise de conteúdos enganosos não deve ser uma tarefa exclusiva da Polícia Federal (PF), a fim de evitar sobrecarga na corporação. Para isso, Nunes Marques propõe um diálogo aberto com as grandes plataformas digitais, buscando um compromisso para a remoção rápida de conteúdos considerados prejudiciais.
Além da interação com as big techs, Nunes Marques também planeja estabelecer parcerias com universidades federais que possuem conhecimento em Inteligência Artificial (IA) e monitoramento digital. Essa abordagem visa não apenas a retirada de conteúdos, mas uma atuação mais abrangente e eficaz contra a desinformação. Integrantes da Corte próximos ao ministro ressaltam que ele defende uma estratégia que minimize a exclusão de publicações, uma vez que conteúdos já compartilhados permanecem em circulação, mesmo após a remoção.
Em vez de se concentrar apenas na derrubada de conteúdos, o foco de Nunes Marques será na ampliação dos mecanismos de direito de resposta e na formulação de respostas institucionais mais ágeis. Essa mudança de estratégia busca criar um ambiente em que a desinformação seja combatida de maneira mais eficaz e com menos censura.
O ministro também agendou uma reunião para o dia 25 de maio com os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). O objetivo é reforçar a defesa do sistema eleitoral e assegurar a lisura das urnas eletrônicas. Durante o encontro, ele pretende solicitar um “pente-fino” nas urnas para verificar seu funcionamento e ouvir dos presidentes regionais sobre qualquer problema que possa ter sido registrado com os equipamentos, além de um diagnóstico detalhado sobre a operação das máquinas em cada estado.
A segurança do processo eleitoral será uma das principais prioridades da gestão de Nunes Marques no TSE. Para isso, ele planeja não apenas uma análise técnica das urnas, mas também um mapeamento da presença do crime organizado nos estados, com o intuito de avaliar a necessidade de um reforço federal em áreas que apresentem riscos.
Por último, a agenda de Nunes Marques inclui a convocação de representantes dos partidos políticos para uma rodada de conversas, prevista para junho, com o intuito de promover um diálogo institucional sobre as eleições e a integridade do processo democrático.