O Kremlin manifestou interesse em desenvolver projetos econômicos em conjunto com os Estados Unidos, desde que Washington não vincule essas iniciativas a um acordo de paz relacionado à Ucrânia. Em uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reafirmou as condições rigorosas que o presidente Vladimir Putin estabeleceu para a resolução do conflito, que se arrasta há quase dois anos e que a Ucrânia rejeitou categoricamente.
Peskov ressaltou que tanto as empresas russas quanto as norte-americanas poderiam se beneficiar de uma série de investimentos e projetos econômicos. Ele afirmou que, na medida em que os EUA estiverem dispostos a desvincular as perspectivas de normalização das relações comerciais de um acordo ucraniano, o caminho para a realização de diversas iniciativas econômicas estaria aberto.
O presidente Putin já mencionou o potencial de exploração conjunta de vastas reservas minerais no Ártico, bem como a possibilidade de projetos no Alasca. Além disso, Kirill Dmitriev, enviado de investimentos da Rússia e figura central nas negociações com Washington, sugeriu a construção de um túnel ferroviário denominado 'Putin-Trump' sob o Estreito de Bering para conectar os dois países.
Entretanto, a Rússia ainda enfrenta sanções rigorosas dos EUA, amplamente relacionadas ao conflito na Ucrânia. Os esforços anteriores do ex-presidente Trump para reduzir essas sanções não resultaram em progresso significativo, embora tanto ele quanto Putin tenham expressado recentemente a crença de que o fim do conflito está próximo, após mais de quatro anos de combates intensos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, deixou claro que não confia na intenção da Rússia de encerrar a guerra. Peskov reiterou as condições estabelecidas por Putin em junho de 2024, afirmando que um cessar-fogo e negociações só poderiam ser considerados se a Ucrânia se retirasse das regiões que a Rússia afirma ter anexado. A Ucrânia, por sua vez, classificou essas exigências como absurdas e se recusa a desistir dos territórios que defende desde 2022. Atualmente, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano.