O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu orientação de aliados para defender publicamente que seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Antônio Ribeiro, apelidado de Marcola, prestem depoimento à Polícia Federal. Essa estratégia é considerada essencial para demonstrar a independência de Lula em relação às investigações que ocorrem sobre ambos.
A Polícia Federal está investigando a conexão entre Lulinha, Marcola e uma lobista identificada como Roberta Luchsinger. Em meio a essa apuração, foram descobertas mensagens de Lulinha discutindo “negócios” com a referida lobista, o que levou a PF a solicitar depoimentos de ambos. A percepção entre os integrantes da campanha de Lula é que essa ação poderia fortalecer a militância, reforçando o argumento de que o presidente não está envolvido em tráficos de influência.
Até o dia 18 de setembro, Lula ainda não havia definido se faria uma declaração pública a respeito do tema, que tem sido amplamente discutido com seu núcleo mais próximo. A necessidade de se posicionar a respeito das suspeitas que envolvem Lulinha e Marcola é vista como uma questão delicada, especialmente após o agravamento das investigações.
Nos bastidores, Lula expressou sua preocupação com as acusações que surgiram em torno de seus colaboradores. Aliados do presidente afirmam que ele não esperava um envolvimento tão significativo de Marcola com Luchsinger, o que tornou esses episódios um dos principais pontos vulneráveis para a campanha à reeleição. Essa situação complica a narrativa eleitoral, que originalmente se baseava na comparação entre as gestões de Jair Bolsonaro e Lula.
A Polícia Federal pretende convocar Lulinha e Marcola para prestar depoimentos em breve, enquanto a investigação se concentra nas interações entre Luchsinger e os dois. O foco da apuração inclui a atuação de Luchsinger em relação a Antônio Carlos Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e os possíveis artifícios utilizados para a contratação de medicamentos à base de cannabis sem licitação.
Entre os achados, está uma conversa onde Marcola recebe de Luchsinger um modelo de contrato envolvendo o Ministério da Saúde. Além disso, a PF descobriu que Luchsinger adquiriu joias de diamante para Ribeiro, avaliadas em R$ 9,2 mil. Essas investigações fazem parte de um dos três inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) que têm Lulinha como um dos alvos, focando em possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.