A segunda edição da Pretou – Mostra de Artes Pretas encerrou sua programação de dois dias, consolidando-se como um importante espaço de valorização da cultura negra em Campo Grande. O evento, realizado no Teatro do Mundo, atraiu um público diversificado e contou com a participação de artistas locais, promovendo um diálogo enriquecedor entre arte, identidade e território, com o apoio da Prefeitura.
Após uma estreia bem-sucedida em 2024, a mostra retornou com uma proposta ampliada, entrada gratuita e um foco ainda mais forte em dar visibilidade a artistas negros do estado. O idealizador da iniciativa, Fábio Castro, comentou sobre o crescimento da Pretou, que reflete uma demanda histórica por espaços de representatividade. "A gente percebe um público cada vez mais presente e interessado. A Pretou não é só sobre arte, é sobre pertencimento, sobre reconhecer que existe uma produção potente sendo feita aqui", afirmou.
Durante os dois dias de evento, diversas linguagens artísticas se encontraram, incluindo música, cinema, teatro, literatura, gastronomia e artes visuais. A programação foi desenhada para ser imersiva e acessível, com atividades inclusivas em Libras, permitindo que um público ainda maior pudesse participar.
A abertura da mostra foi marcada pela animação da DJ Lady Afro, que trouxe um clima de celebração e resistência. No primeiro dia, uma oficina chamada “Mato não! Comida”, conduzida por Hilbaty Rodrigues, promoveu reflexões sobre ancestralidade e alimentação, utilizando Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e envolvendo os participantes em uma experiência sensorial.
A programação incluiu a exibição de filmes de cineastas negros sul-mato-grossenses, uma roda de conversa, um slam de poesia e a apresentação do grupo Afrofino, que encerrou a noite com uma performance que atraiu um grande público. O evento também teve a DJ TGB como atração de abertura, seguida pela palestra “Dramaturgias Negras”, ministrada pelo ator Marcelo de Jesus, que destacou o papel do teatro como ferramenta de transformação social. A celebração contou ainda com a apresentação de dança “Corpos em Território” e foi finalizada com o show da artista SoulRa, que consolidou a atmosfera festiva.
Além das apresentações, a feira criativa e a exposição de artes visuais funcionaram como espaços permanentes de circulação, promovendo a economia criativa e oferecendo visibilidade a novos talentos negros do estado. Com um público expressivo nos dois dias e forte engajamento nas atividades, a Pretou reafirma sua importância no calendário cultural da cidade. A parceria com o poder público, por meio do financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e o apoio da Fundação Municipal de Cultura, foi essencial para a realização e ampliação da mostra.