O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Lincoln Gakiya, fez uma comparação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as máfias italianas, afirmando que a facção paulista exibe características típicas dessas organizações criminosas. A afirmação foi proferida na quarta-feira (23) durante a Conferência di Consenso, realizada na sede do MPSP, que contou com a presença de autoridades de Brasil e Itália para debater a colaboração internacional no combate ao crime organizado transnacional.
Gakiya, que atuou como mediador do painel, ressaltou que a avaliação sobre a semelhança entre o PCC e as máfias italianas é compartilhada por autoridades italianas. Ele mencionou decisões do Tribunal de Turim que condenaram membros brasileiros do PCC, reconhecendo-os como integrantes de uma organização mafiosa. O promotor destacou ainda a colaboração entre o PCC e a ’Ndrangheta, a qual é considerada a mais influente organização criminosa da Itália, originária da Calábria.
“Não se trata de hipótese acadêmica. Trata-se de uma cadeia logística em pleno funcionamento a partir do litoral paulista e da Calábria, alcançando hoje os quatro continentes”, enfatizou Gakiya, sublinhando a importância da cooperação entre os países.
No entanto, o promotor também apontou que um dos principais desafios para o combate às facções criminosas reside na falta de integração entre as instituições de segurança pública no Brasil. Ele argumentou que a atuação dos órgãos muitas vezes acontece de maneira isolada, o que diminui a eficácia na resposta ao crime organizado. “A resposta eficaz ao crime organizado não decorre da atuação isolada, mas da soma de conhecimentos que cada instituição acumulou”, afirmou.
Gakiya também criticou a decisão do governo dos Estados Unidos ao classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para ele, essa categorização não traz benefícios ao Brasil, uma vez que a legislação brasileira já prevê punições severas para organizações criminosas, mais rigorosas do que as da Lei Antiterrorismo.
O assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália, Giovanni Tartaglia, também se manifestou sobre a colaboração Brasil-Itália no combate ao crime organizado. Ele ressaltou que a criminalidade no Brasil se tornou um fenômeno de alcance internacional, caracterizado por sua infiltração na economia e corrupção de agentes públicos.