Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reunirão no dia 14 de julho com representantes de institutos de pesquisas eleitorais. O encontro ocorre após a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel, que indicou uma queda nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro (PL), após a revelação de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A reunião é considerada um passo inicial para destravar o julgamento que definirá critérios e parâmetros para a realização de pesquisas eleitorais. A análise da decisão do presidente da Corte Eleitoral, Kássio Nunes Marques, foi suspensa no início de junho após um pedido de vista da ministra Estela Aranha.
Kássio Nunes Marques tomou a decisão de suspender a divulgação da pesquisa sob a justificativa de que havia indícios de contaminação nas respostas, incluindo a divulgação de áudios relacionados a investigações. Essa decisão gerou desconforto entre os ministros do TSE, do Supremo Tribunal Federal (STF) e membros do Ministério Público Eleitoral.
Representantes de institutos de pesquisa manifestaram preocupação com o veto imposto pelo ministro. A decisão de Nunes Marques pode ter repercussões significativas, já que integrantes do MP Eleitoral alertaram sobre o risco de que tribunais eleitorais adotem posturas semelhantes em relação às pesquisas.
Em uma manifestação enviada ao TSE, a Procuradoria-Geral Eleitoral se posicionou contra a suspensão da pesquisa. O vice-procurador-Geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, destacou que a intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas deve ser considerada apenas em casos excepcionais, quando ficar comprovada a quebra do dever de imparcialidade.
Nas últimas semanas, Kássio Nunes Marques tem buscado, nos bastidores, uma solução para evitar que sua decisão de suspender a pesquisa seja derrubada pelo plenário do tribunal. Uma das propostas em discussão é regulamentar a apresentação de áudios e vídeos durante as entrevistas, que foi o ponto central que motivou sua decisão.