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Sites de fofoca se tornam canais de informação política no Brasil

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O cenário político brasileiro está passando por uma transformação, com o surgimento de conteúdos políticos em plataformas voltadas para fofocas. Às vésperas das eleições presidenciais, esse fenômeno se intensifica, especialmente em meio a escândalos envolvendo o Banco Master, onde perfis dedicados a celebridades estão se tornando fontes relevantes de informação política para um público amplo.

Um estudo realizado pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), revela que o alcance de conteúdos políticos em sites de fofoca é significativamente maior do que em veículos de comunicação tradicionais. Em uma sexta-feira em que a Polícia Federal investigava um suposto desvio de emendas parlamentares ligadas ao filme Dark Horse e o Supremo Tribunal Federal (STF) discutia vínculos entre seus ministros e o Banco Master, um vídeo sobre esse tema alcançou cerca de duas milhões de visualizações nas redes sociais de fofoca, número quase quatro vezes superior ao de um post similar em um veículo jornalístico.

Pablo Ortellado, coordenador do Monitor, destaca que esses sites, ao mesclarem fofocas com conteúdos políticos, conseguem engajar um público que geralmente não está atento a questões políticas. “Esses sites estão falando de celebridades, mas no meio disso eles colocam uma coisa de política. E como eles têm muito engajamento, em geral, por serem conhecidos por publicarem mais fofoca, quando falam de política, se tornam o primeiro lugar em dias quentes”, explica Ortellado, referindo-se ao caso envolvendo o Master de Daniel Vorcaro.

A combinação de fofoca e política se revela uma estratégia de marketing político eficaz. Inicialmente, esses perfis eram focados no entretenimento e na vida dos artistas, mas, nos últimos quatro anos, essa abordagem começou a incluir temas políticos que antes eram considerados distantes. Essa mudança é vista como uma forma de atingir segmentos da população que não estão engajados em discussões políticas tradicionais.

Desde as eleições de 2018, a comunicação política no Brasil passou por uma mudança significativa. Naquela eleição, Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT) concentraram suas campanhas em temas morais, enquanto Bolsonaro, vencedor do pleito, evitou discutir política social e econômica, focando em pautas como a oposição ao feminismo e a movimentos LGBTQ+. Em 2022, a estratégia de Bolsonaro evoluiu, incorporando propostas e realizações de políticas públicas, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também centrou sua campanha em políticas públicas e no legado de seus governos anteriores.

Com a proximidade das eleições de 2026, fica claro que os escândalos de corrupção estão ganhando destaque nas campanhas, especialmente nos veículos tradicionais e, de forma crescente, nos sites de fofoca, conforme analisa Ortellado. Essa nova dinâmica pode impactar a forma como os eleitores percebem e se envolvem com a política, tornando as plataformas de fofoca um elemento relevante na formação da opinião pública.

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