Em WASHINGTON, no dia 22 de maio, o czar de segurança eleitoral da administração de Donald Trump buscou, no ano passado, banir as máquinas de votação que são utilizadas em grande parte dos Estados dos EUA. O objetivo era que o Departamento de Comércio declarasse que os componentes dessas máquinas representavam riscos à segurança nacional, conforme informações de pessoas que têm conhecimento direto sobre o assunto.
O advogado Kurt Olsen, que atuou na Casa Branca e foi encarregado por Trump de comprovar teorias da conspiração relacionadas a fraudes eleitorais, foi um dos principais defensores do plano visando as máquinas da Dominion Voting Systems. Essa ideia surgiu durante um brainstorming entre Olsen e outros membros do governo, que discutiam como o governo federal poderia assumir o controle das eleições nos Estados Unidos, uma proposta que já havia sido publicamente divulgada por Trump.
Olsen defendia a implementação de um sistema nacional de cédulas de papel que seriam contadas manualmente, uma exigência frequente do ex-presidente. Especialistas em segurança eleitoral, no entanto, apontam que essa abordagem poderia ser menos precisa e mais arriscada do que o sistema atual, que utiliza máquinas com registros em papel auditáveis, amplamente adotadas nas cidades e Estados.
O plano para excluir as máquinas de votação avançou a ponto de, em setembro, autoridades do Departamento de Comércio começarem a examinar possíveis justificativas para sua execução. Contudo, o projeto não obteve sucesso, pois Olsen e seus colaboradores não conseguiram apresentar evidências que sustentassem tal medida.
Esse episódio se insere em um contexto mais amplo de alegações infundadas de fraude eleitoral. De acordo com a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, mais de 98% das jurisdições eleitorais já produzem um registro em papel para cada voto. A maioria desses votos é registrada em máquinas que imprimem um documento físico ou é marcada à mão e contada por leitores eletrônicos.
Os especialistas em segurança eleitoral, em sua maioria, apoiam a combinação atual de tecnologia e cédulas de papel, que permite um registro verificado pelo eleitor para auditorias após as eleições. Defensores da contagem manual argumentam que esse método elimina preocupações relacionadas a ataques cibernéticos, mas também apresenta riscos, como erros de contagem e fraudes nas urnas. Alex Halderman, professor da Universidade de Michigan, alertou que uma mudança para a contagem manual poderia resultar em caos e facilitar trapaças.