Na terça-feira (16), vereadores e Lideranças da Costa Verde fluminense expressaram suas preocupações em relação à insegurança na rodovia Rio-Santos durante um debate na Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados. Os representantes de Angra dos Reis e Paraty destacaram a precariedade da iluminação, a falta de manutenção nos abrigos de passageiros e a aplicação de multas indevidas no sistema de pedágio automático.
Um dos pontos mais críticos levantados foi a poda da vegetação, que já resultou em tragédias. Em 2023, três membros de uma mesma família perderam a vida devido à queda de uma árvore na rodovia. Otávio Melo, representante da Motiva, concessionária responsável pela rodovia desde 2022, declarou que a empresa planeja retirar 2.800 árvores até o primeiro trimestre de 2027, visando aumentar a segurança na via.
O vereador Laion Campos, de Paraty, manifestou sua insatisfação com a lentidão na implementação das melhorias prometidas. Ele questionou: “Até quando a concessionária vai prestar o serviço adequado, instalar os pontos de ônibus corretos e garantir iluminação pública? Eles disseram que têm prazo até 2033. Quantas vidas serão perdidas em nosso município até lá?”.
Durante a audiência, o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), autor do requerimento para a realização do debate, indagou sobre a razão de a concessionária adotar bloqueios temporários em resposta a deslizamentos de encostas, em vez de realizar obras de contenção definitivas. Rodolfo Borrel, gerente de operações da concessionária, explicou que essas interdições são parte de um protocolo de segurança acordado com as defesas civis da região, sendo que duas consultorias monitoram as condições climáticas em 27 segmentos da via, interrompendo o tráfego sempre que a previsão é de 100 milímetros de chuva em 24 horas.
O especialista em relações institucionais da Motiva, Otávio Melo, também revelou que foram realizados investimentos emergenciais de 350 milhões de reais para estabilização de encostas, após os temporais que afetaram a região em 2022. O contrato de concessão, que prevê investimentos de R$ 25,8 bilhões, inclui a ampliação da rodovia para quatro faixas em cada sentido. Contudo, Melo alertou que o início das obras depende da autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Melo enfatizou que a empresa está impossibilitada de iniciar novas frentes de obras, tanto na Via Dutra quanto na Rio-Santos, devido à espera pelo licenciamento do Ibama. "O processo demorou e agora estamos na fase de audiência pública para obter a licença e iniciar as obras", informou.