A Fars News, agência de notícias semioficial do Irã, contestou neste sábado (23) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz como parte de um acordo de paz com o Irã. A agência qualificou a afirmação de Trump como "incompleta" e "longe da realidade".
Conforme a Fars, uma troca recente de textos entre as partes envolvidas indica que, se um acordo for alcançado, o Estreito de Ormuz permanecerá sob o controle iraniano. A agência ressaltou que, embora o Irã tenha concordado em aumentar o número de navios que transitam pela região ao nível anterior ao conflito, isso não deve ser interpretado como uma autorização para passagem livre.
"Embora o Irã tenha concordado em permitir que o volume de navios que passam pelo estreito retorne ao nível anterior à guerra, isso não significa, de forma alguma, 'livre passagem' para a situação pré-guerra", esclareceu a Fars. Além disso, a administração do estreito e a definição de rotas, horários e permissões continuarão sob a exclusiva autoridade da República Islâmica do Irã.
A declaração de Trump foi publicada na plataforma Truth Social, onde o presidente americano afirmou que um acordo estava "em grande parte negociado" e que "o Estreito de Ormuz será aberto", sem oferecer detalhes sobre os termos do acordo. Essa postagem ocorreu após uma chamada com dez líderes regionais do Oriente Médio e do mundo muçulmano.
Até o momento, o governo iraniano não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações de Trump, que foram divulgadas pela Fars. De acordo com informações do site Axios, as negociações do acordo estão em fase final, focando na redação do texto. A Al Jazeera reportou que o Irã não aceitou abrir mão de suas instalações nucleares, tema que será discutido em uma nova rodada de conversas durante um cessar-fogo de 30 dias, que pode ser renovado por mais 30 dias.