A Santa Casa de Campo Grande recebeu uma notificação formal da Gerência de Pactuação, Controle e Avaliação da Sesau (Secretaria Municipal de Campo Grande) nesta sexta-feira (12). A notificação ocorreu após a constatação de uma "grave crise assistencial" no hospital, verificável durante uma visita técnica realizada na quarta-feira (10) pela equipe de Controle e Avaliação da Sesau e pelo Núcleo de Apoio Especial à Saúde (Naes) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Durante a inspeção, foi identificada a superlotação da Ala Vermelha e a carência de equipes de anestesistas, que resultaram em sucessivos cancelamentos de cirurgias sem justificativa. A administração municipal, diante da situação, solicita à instituição um parecer detalhado e um "plano de ação corretivo". Este plano deve abordar a baixa utilização da capacidade do centro cirúrgico, o bloqueio de leitos, a superlotação do pronto-socorro e a fila de pacientes à espera de cirurgias ortopédicas.
A Sesau também está articulando um plano de contingência com o Hospital Adventista do Pênfigo, visando a realização das cirurgias ortopédicas que estão atrasadas. A nota encaminhada à imprensa destaca que a Santa Casa deve fornecer as informações necessárias para o encaminhamento das medidas, além de apresentar justificativas e ações para regularizar os problemas identificados, sob pena de sanções administrativas.
A vistoria revelou que apenas quatro salas do centro cirúrgico estavam operando, devido à falta de anestesistas para garantir a escala regular das demais. A situação da Ala Vermelha é crítica, com 83 pacientes sendo atendidos em um espaço que tem capacidade para apenas seis.
Outro ponto problemático identificado foi a retenção de macas do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros, uma vez que não havia um local adequado para os pacientes aguardarem atendimento. As equipes de fiscalização também ouviram relatos de pacientes sobre a dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
A Santa Casa argumenta que opera há anos sob um grave desequilíbrio econômico-financeiro, resultado do subfinanciamento do SUS e da insuficiência dos recursos destinados à manutenção de serviços de alta complexidade. O hospital afirma que continua a acolher centenas de pacientes encaminhados pela regulação municipal, mesmo diante das limitações financeiras.
Com informações midiamax.com.br