Um novo relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) indica que o fenômeno conhecido como Super El Niño pode trazer sérias consequências para a saúde pública nas Américas. O documento, divulgado na última segunda-feira (14), menciona que a previsão da NOAA é de que o fenômeno seja extremamente intenso, o que pode amplificar os riscos à saúde em diversos países da região.
Mais de 5,2 milhões de pessoas já estão sentindo os efeitos do fenômeno, enfrentando riscos e insegurança alimentar. O levantamento da OPAS destaca que atualmente oito países estão lidando com secas ou escassez de água, enquanto seis enfrentam incêndios florestais que impactam a saúde da população. Além disso, cinco nações registraram danos devido a chuvas intensas ou inundações.
Dentre os principais riscos identificados pela OPAS, destaca-se a intensificação de doenças transmitidas por mosquitos e por água, os efeitos do calor extremo, a degradação da qualidade do ar e possíveis interrupções nos serviços essenciais de saúde. A organização também recorda que episódios anteriores de El Niño coincidiram com surtos de doenças como zika e chikungunya em 2015 e 2016, além dos altos índices de transmissão de dengue que ocorreram em 2023 e 2024.
A OPAS recomenda que os países revisem e atualizem seus planos de contingência para hospitais e redes de saúde, a fim de se prepararem para enfrentar o que pode ser um dos episódios mais fortes nos últimos anos. No Brasil, a situação é preocupante, com a OPAS indicando “sinais de alerta ambiental”, especialmente devido à diminuição do nível de água na Bacia Amazônica e à piora da qualidade do ar provocada por incêndios florestais.
A organização informa que 630 cidades no Brasil apresentaram níveis de material particulado fino no ar acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, até o momento, não há confirmação de problemas de saúde específicos decorrentes dessa poluição.
Por outro lado, uma projeção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que o Brasil poderá sofrer com secas na metade Norte e Nordeste, enquanto o Sul enfrentará chuvas intensas. Na América Central, países como Honduras, Guatemala e El Salvador estão passando por sérias dificuldades relacionadas à escassez de água, o que afeta a produção agrícola e a segurança alimentar. Estima-se que três milhões de pessoas enfrentem a fome na Guatemala e cerca de dois milhões em Honduras.